sexta-feira, 13 de abril de 2007
O Regresso do Sabonete Punhal
...quando vê Emília agarrar no Sabonete Punhal que naquelas andanças tinha ido parar junto ao sofá da salinha de estar que vai do corredor à casa-de-banho e debaixo do qual ela tremia, escondida, aterrorizada com a presença da anã. "mas o que é isto? não me lembro de ver isto cá em casa?" pergunta-se Emília, sem reparar que o Sabonete Punhal estava a arrepiar um esgar tremendo e meloso. "que porcaria! vai já para o lixo!" Lucy abafou um latido com as duas patas da frente porque estava a ver bem de que forma o Sabonete Punhal se erguia em pose de estilete afiado, pronto a cravar-se fundo, no coração da desgraçada, e a cadela não sabia se era o medo da execução em si que a abalava, ou o estardalhaço de vísceras e sangue e carnes espalhadas ao desbarato, pela sala, de uma Emília tão pequena mas tão temida, da qual ela estava prestes a livrar-se para sempre, que lhe dava um certo prazer que temia admitir. o latido não se ouviu. e Emília continuando a agarrar o Sabonete Punhal com o maior desprezo do mundo, foi andando com as suas passadas violentas e pesadas pelo corredor, e só quando sentiu o abanão forte é que....
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