terça-feira, 10 de abril de 2007

Emília

...e vem com cara de poucos amigos como é seu costume. mas nada lhe faria prever a cena que a esperava. apesar dos seus 53cms de altura, Emília é entroncada e aguenta quase o dobro do seu peso e muito mais em desaforo, mas, sinceramente, o quadro da Velha Senhora, nua, agarrada ao Sr. Alfredo, foi demasiado. "A senhora, desculpe, mas parece que vim cedo demais! volto mais tarde! não tem importância! volto mais tarde!" A Dona da Casa não conseguia articular palavra, abria e fechava a boca, a pouca saliva colada aos cantos dos lábios, por causa da dentadura, e foi o Alfredo que se adiantou: Menina Emília, menina Emília...por favor! não vá...!
Ela ficou a olhar para ele e desconfiou da súplica! sim, por aquilo tinha sido uma súplica! e não era todos os dias que uma enjeitada como ela ouvia uma frase daquelas! Afinal o que se passava? então aqueles não queriam estar sozinhos? não estavam ali para umas pinocadas? ou para tentar umas, já agora... não eram novos, isso não! querem ver os porcos que a queriam meter ao barulho? pervertidos? seriam? ai, ai, ai? com ela? uma mulher séria? mas que porra era aquela? mas a senhora estava muito abatida... nua, mas abatida! e o Alfredo, aquele emplastro? o que é que estava ali a fazer? e o que é que queria dela? mas que confusão! pensa Emília, pensa! responde, diz qualquer coisa, mulher, diz, anda! - Mas o que é que se passa?
- São os sabonetes....- sussurra a Dona da Casa e desfalece. - O quê? - pergunta Emília. - Não ligue, menina Emília, a Senhora não está nada bem. Encontrei-a desmaiada na casa de banho. Ajude-me a levá-la para a cama, por favor.
e lá a levaram, como um espantalho mal feito, enrodilhada na malfadada toalha que nada encobria, para o quarto, tendo Emília com desvelo, aberto a cama e deitado a Senhora, coberto e agasalhado com a perícia e cuidado necessários.
- Agora, Sr. Alfredo, quero explicações! como é que entrou aqui? e o que é que aconteceu à minha senhora?
- Menina Emília... eu acho que a resposta está na casa de banho... há até qualquer coisa escrita no espelho... mas a culpa é dos sabonetes...
a anã franziu uma sobrancelha e olhou de lado para o Alfredo, com a mãozita na anca gorducha e atarracada e com o andar desengonçado, desafiou-o:
- Então vmos lá ver isso! Porque a mim ainda está para nascer sabonetes que me metam medo, ah! ah! ah!

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