sexta-feira, 13 de abril de 2007
... parou. Ficou a olhar para o vazio, abriu a boca e esperou. Assim era quando sentia o estomâgo desarranjado. Pelo interior do seu corpo, um som borbulhante ecoa por si a cima. Emília fecha os olhos e deixa sair pela boca todo o gás que a perturba. Não me parece possível descrever tal som. Foi o suficiente para a Dona da Casa acordar assustada e aperceber-se da sua nudez. Atarantada, levanta-se e embrenha-se num robe com plumas nas extremidades. Ainda demorou algum tempo até Emília parar de se manifestar. Tinha um bom controlo sobre o seu aparelho digestivo. O mesmo não pode dizer-se em relação reflexos involuntários. Emília acaba e imediatamente em seguida, inspira sofregamente e dá violentos esticões com os seus braços. O Sabonete Punhal salta lancinante da pequena mão e depois alguns instantes no ar regressa num voo picado em direcção ao pescoço de Emília. Não dava para perceber bem mas olhando atentamente para o Punhal em queda-livre poder-se-ia ver um sorriso macabro. Que disparate! Emília sente um arrepio. Vira-se para trás e gela ao ver o brilho vir direito a si. Não é que seja costume mas desta vez, sem pensar, Emília fecha os olhos. Tchuque! Um som seco e inequívoco. O Sabonete Punhal foi implacável. Caiu espetado e assim ficou. Emília abre os olhos e vê uma cara monstruosa colada à sua. Lucy estava em cima dela e o Punhal, espetado com uma espada no soalho do corredor...
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