segunda-feira, 9 de abril de 2007

...O ESTRONDO!!!

... Alfredo, sem olhar para trás, adivinha o que se passou ao ver um sabonete deslizar a seu lado. À sua volta, por toda a casa de banho, pequeninos sabonetes coloridos dispersam como se se dirigissem para posições estratégicas. Os sabonetinhos deslizam aos poucos e, sem ligar, Alfredo tenta alcançar a Dona da Casa com a toalha em mãos. Um estrondo imensurável, seco e bruto vindo, quem sabe, da sala de estar faz os sabonetinhos pararem. A Dona da Casa, atemorizada, põe-se de pé e agarra-se a Alfredo. "Não...não pode ser!". Alfredo tenta suster a respiração enquanto sente um dos seios da velha senhora tocar-lhe numa das trémulas mãos que seguram a toalha aberta ao ar. Lucy está petrificada de medo e esqueceu-se de latir. Este sim, é um estrondo inequívoco! Acontece sempre da mesma maneira. Um estrondo tão absurdo e abstracto que seria impossível relacioná-lo com o que o provocou - um bater de porta! Sem dó nem piedade. As lascas de madeira pintada de verde escuro amontoam-se no canteiro que ladeia a porta da entrada, contando as vezes que aquela porta bateu com tremenda violência. Os sabonetes brilham estácticos e a cara da velha senhora revelava então o que de seguida se vai saber. Emília já chegou...

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