..."Bolas! que grande cagaço!"diz a anã ainda esborrachada pelo focinho da Lucy bem juntinho ao seu. A poucos centímetros estava o Sabonete Punhal enterrado nas tábuas do soalho. Lucy tremia que nem varas verdes e não parecia fazer tensão de sair de cima de Emília, tal era o terror que a consumia. A anã também ainda não estava refeita do susto. Embora não quisesse admitir, os seus olhos não costumavam ser lhe traiçoeiros e, ela, vira o que vira. Mas afinal o que é que ela vira? Emília começou a mexer-se mas Lucy apenas tremia como uma gelatina colada ao fundo do prato. E o prato, neste, caso era Emília. A anã bem queria agarrar a cadela com uma mão mas não lhe chegava, porque Lucy tinha o focinho e todo o corpo enrodilhado na cara de Emília. E Emília estava torcida como se tivesse dado meia volta em si mesma. Estavam lindas as duas! Pareciam siamesas. Emília pigarreou e disse "Sai, sai de cima de mim, saco de pulgas, sai!" mas a cadela continuava paralizada. Além disso, o Sabonete Punhal cravado no chão, brilhante como um cristal, não augurava nada de bom.
Neste impasse, irritante, ouve-se a voz melosa e lânguida da Dona da Casa, chamar: "Emília! Emília! Aconteceu alguma coisa?"
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