sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
...uma caixa demasiado pequena...
Os sabonetes espumavam de medo. A caixa começava a tornar-se pequena para tal asfixa. A velha senhora avançava lentamente, de Sabonete Punhal em punho. O cheiro a lavanda misturava-se com o de alecrim e o cheiro a rosas, os sabonetes defenhavam. "Que dia para ficarmos sem o creme..." - tremiam. A rugas da velha senhora ainda mais se indagarravam com o súbito aroma que enchera a divisão, que seria aquilo, que fragâncias indefiniveis por ali levitavam? O espaço na caixa dimunia a olhos vistos, o sabonete verde agarrava-se ao corajoso azul que se misturava na espuma do rosinha. Nesse instante, do fundo da casa, a cadela Luci correu em direcção à dona que só via de costas, o cheiro fê-la acordar do sono da tarde e correr. "Que coisa?! Que vida anda aí?" A velha senhora, concentrada na aproximação, não deu importância a tal corrida. Ali estava, pronta para se chegar à caixa dos, agora, espumosos sabonetes. "Não nos vamos pelo cano abaixo, mas perdomo-nos burrados! Não pode ser!", gritava o azul. "Coragem, companheiros!". Ninguém o ouvia. Já todos fechavam os olhos a imaginar os passeios nas rugas e nas banhas da velha senhora. Luci, na correria que trazia do corredor, entrou pela fresta que via da porta e bateu na porta com o focinho, com uma pancada que a fez perder o olfacto por segundos. Ganiu, a velha senhora deu um salto e largou o sabonete punhal, "Slpach!", nos ladrilhos cor-de-laranja e amarelos.
"LLLLuuuucccciiii, sua doida..."
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