....o Sabonete Punhal sorri para ela! "Espera!" diz a velha senhora, agora com o cabelo um pouco mais despenteado, pois faltava-lhe a ajuda espetada do sabonete para lhe segurar o totiço no alto da cabeça, "ele está a sorrir para mim! Tem boca, tem dentes, até lhe vejo narinas, e aquilo são dois olhos rasgados que se abrem num sorriso... devo estar a ficar louca...! Os sabonetes não riem. Nem sorriem! Os sabonetes não fazem nada. Quer dizer fazem. Se levarem com água em cima desfazem-se em espuma perfumada e lavam-nos... não é?" e esta pergunta era dirigida ao Sabonete Punhal que tinha transformado o sorriso num esgar assustador a fazer jus ao seu nome.
A velha senhora poisou com cuidado o Sabonete Punhal em cima da mesa ao lado do lavatório, e arredou com jeito a caixa dos Sabonetes pequenos que tinham presenciado tudo, silenciosamente, e tão quietos que mais pareciam estátuas agarradas a algum pedestal. "Bom, vou ali, à cozinha, ver como estão os talheres. De vez em quando, gosto de passar um pano pelos garfos, pelas colheres e pelas facas, tenho belas facas de cozinhas, afiadas, algumas são até muito grandes!" disse a senhora muito alto. Espreitou o Sabonete Punhal, mas este tinha adormecido! Ela então voltou-se para a caixa dos Sabonetes pequenos e começou a observá-los com atenção. Houve um que começou a tremer. Pelo menos era o que ele achava! Ela já estava com a cabeça mesmo muito próxima, " Mas afinal o que é que se passa com os Sabonetes? Algo me diz que anda aqui mistério....
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